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Artista usa ilustrações para ensinar a Palavra de Deus

Augusto Marques criou a PictoBíblia a fim de ensinar para além da EBD.

23/01/2021 10h52
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Por: Carlos Sobrinho
Augusto Marques desenhando (Foto: Reprodução/Arquivos Pessoais)
Augusto Marques desenhando (Foto: Reprodução/Arquivos Pessoais)

Em 2017, inspirado pelas comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante, o ilustrador Augusto Marques criou a PictoBíblia, uma conta no Instagram para levar ensinos da Palavra de Deus de forma criativa através de suas ilustrações.

Augusto é professor da Escola Bíblica Dominical em sua igreja local, pertencente a Assembleia de Deus de Porto Alegre, e hoje também ensina para além da sala de aula, no PictoCast, o podcast do PictoBíblia, no canal do Youtube e no grupo de estudos do Telegram do projeto. Atuando como ilustrador profissional há 15 anos, e também como produtor multimídia, já criou um HD cristão, intitulado “O bom samaritano”.

Em entrevista ao Gospel Prime, Augusto Marques conversou sobre o “boom” de páginas de Teologia nas redes sociais, ilustração cristã e o fenômeno da “teologia de internet e desigrejados”.

Leia na íntegra:

 

Como surgiu a ideia de criar a PictoBíblia? O projeto conta com uma equipe de criação?

Eu sempre frequentei a EBD, tanto como aluno, como professor, dava aula e consequentemente cuidava de todas as artes da congregação, isso sempre foi meio que natural pra mim. A partir de 2015, eu criei uma página chamada “Crentolândia”, que tinha por objetivo fazer piada com a cultura e costumes da igreja em geral, mas me deparei atraindo um público descrente interessado em depreciar a igreja de Jesus e que não tinha entendido o propósito “vamos rir de nós mesmos”, confesso que foi ingenuidade da minha parte. Foi então que a partir de 2016 conheci a teologia reformada, me encantei com uma série de autores e uma riqueza de conteúdo absurda. No ano de 2017, com os 500 anos da reforma protestante, resolvi criar a PictoBíblia para levar parte do que eu lia e aprendia para além da sala de aula da EBD.

Percebi que havia uma necessidade na internet, e embora existam inúmeras páginas, canais e perfis de excelente qualidade, da mesma forma (e se não até em número maior), existe muito conteúdo com sérios equívocos bíblicos. Foi então que me senti encorajado a criar a PictoBíblia na esperança de poder ajudar a igreja no ensino das escrituras.

Na PictoBíblia eu trabalho praticamente sozinho, eventualmente alguns irmãos e a minha esposa me ajudam com sugestões de postagens ou respondendo comentários. Normalmente as postagens são fruto de alguma leitura que estou fazendo ou conteúdo que estou consumindo. Ao ler ou ver qualquer coisa eu sempre estou pensando: Será que isso poderia virar uma postagem?

Quando você começou a desenhar? Qual a sua história com a ilustração? 

Sobre desenhar, lembro-me da minha mãe que sempre me incentivou. Mesmo na minha juventude, ela não dizia para eu “procurar uma profissão que desse dinheiro”. Neste sentido, as coisas foram acontecendo profissionalmente pra mim. Creio que seja importante dizer que venho de uma família humilde. Não tive vídeo game na infância e em minha adolescência e juventude não tinha NetFlix, meu entretenimento sempre foi desenhar.

Hoje, possuo mais de 15 anos de experiência com ilustração e já trabalhei para algumas marcas conhecidas fazendo algumas campanhas publicitárias. Possuo formação em Produção Multimídia e alguns cursos na área de design, o que me dá a capacitação necessária para fazer os vídeos no Youtube, IGTV e gravar e editar os podcasts para o PictoCast, por exemplo.

A internet se tornou também um espaço para ilustradores mostrarem seu trabalho, inclusive artistas cristãos. Como você tem visto esse fenômeno?

Um dos meus primeiros trabalhos como desenhista foi para um pequeno jornal no interior do estado do Rio Grande do Sul, em meados de 1999. Lá eu fazia charges e cresci sempre ouvindo duas coisas: “Legal que você desenha, um dia vai trabalhar para o Maurício de Souza na turma da Mônica!” Ou então: “Uau cara, um dia você vai trabalhar para um grande jornal!”.

Eu confesso que as duas ideias me desanimavam um pouco, embora eu gostasse da Turma da Mônica e de fazer piadas com política. Mas para conseguir atingir o objetivo dos outros para minha vida, eu precisaria dos contatos certos e desprender uma força que eu não estava disposto, afinal eu queria trilhar o meu caminho. Então a internet popularizou absolutamente tud! Lembro-me de uma professora de artes no meu ensino médio que dizia: “Sempre vai existir alguém que vai gostar do teu desenho”. A internet deu aos artistas visuais a possibilidade destas pessoas serem alcançadas.

Acredito que exista público para absolutamente todos e que desenhar bem não é um privilégio de poucos. E que até mesmo a figura do artista boêmio, incompreendido e que usa boina de desenhista está muito mais no imaginário popular, normalmente estamos falando de pessoas bem comuns como eu. E isto a internet também nos mostrou.

Você considera a ilustração um método pedagógico acessível para todas as pessoas aprenderem Teologia?

Há quem diga que se Deus quisesse usar desenhos ele assim teria feito e não teria deixado “apenas” textos para transmissão da sua mensagem. Bem, eu concordo plenamente com isso, no entanto, cabe dizer aqui que vivemos em um tempo de telas de luz, em que se disputa por frações de segundos a atenção das pessoas em absolutamente todos os lugares; sejam urbanos com os outdoors e painéis, ou nas redes sociais e sites com banners e fotos.

Essas coisas não acontecem por acaso, mas porque funcionam e conseguem passar uma mensagem, seja ela qual for. A igreja, antes da vanguarda artista e cultural, com o advento da internet e aliado ao seu caráter missional, teve extrema facilidade de absorver as demandas do seu tempo, a fim de proclamar o evangelho de Jesus.

Quando criaram o impresso, fizemos o  jornal e revista para anunciar a salvação. Quando inventaram o rádio, fizemos um programa. Quando inventaram a TV, fizemos até filme de Jesus. Não poderia ser diferente com a internet e muito menos com as ilustrações digitais.

Eu acredito que meu desenho é um apoio visual na mensagem para quem possa se interessar e que deve apontar sempre para as Escrituras. Então sim, eu considero uma ferramenta de extremo valor para o ensino bíblico e que deve ser usada com muito cuidado.

O PictoBíblia lançou o HQ “O bom samaritano”. A cultura de quadrinhos ressurgiu de seus anos dourados para ser consumida pelas gerações atuais da cultura nerd, chegando também no segmento cristã. Já existem muitos HQ bíblicos e qual a faixa etária que mais consome esse tipo de literatura?

Penso que as crianças hoje são nascidas em um contexto diferente do meu e de muitos outros irmãos, elas não absorvem o conteúdo da mesma forma que nós em nossa infância, observo que hoje as crianças são passivas no consumo.

Por exemplo, Batman pra mim apareceu nas HQ’s, depois eu fiquei admirado em ver no cinema, mas as crianças não estão fazendo esse caminho, hoje o Batman é uma peça de Lego que não expressa as dificuldades de ter perdido seus pais. Até mesmo as histórias sofreram modificações, como a do Tony Stark (Homem de Ferro), nas HQ’s é alcoólatra, mas o que vimos nos filmes da Marvel foi um polimento das lutas do personagem para um novo tempo, a fim de não chocar esta nova geração de fãs.

Estes são apenas dois exemplos de grandes personagens que por trás existem muitos profissionais envolvidos para entregar histórias cativantes de aventura e superação. Sei que posso parecer saudosista, mas em meu ver, é o apego a estes tipos de personagens complexos, com lutas comuns a todos nós, que gerava um interesse por saber mais sobre eles e consequentemente lermos mais sobre suas histórias.

Hoje é muito fácil ver desenho animado, é tudo feito para vídeo e sob demanda, com histórias que falam basicamente de magia. Então, ao que me parece, o público cristão para quadrinhos é um pouco mais velho e que, consequentemente, são aqueles que podem pagar por esse tipo de conteúdo, são os adultos nascidos em uma época em que se comprava Homem-Aranha nas bancas de jornal.

Como disse, recentemente fiz a HQ “O Bom Samaritano” e disponibilizei gratuitamente (assim como todos os meus conteúdos), focado para o público adulto e teve relativo sucesso.

Algumas pessoas relacionam o fenômeno dos desigrejados com a teologia de internet e os famosos “webcrentes”. Como você interpreta esta questão?

Sempre me preocupei com a possibilidade de estar nutrindo uma fé em Jesus Cristo que fosse afastada da congregação dos santos, por isso neste ano de 2021 quero retomar o Pictocast (podcast da PictoBíblia) e fazer uma série sobre o assunto.

Veja bem, eu me comunico como a PictoBíblia e não como a PictoBíblia que pertence a um membro da Assembleia de Deus. Ao tomar essa decisão estava consciente de que alcançaria muitas pessoas pertencentes a outras denominações diferentes da minha. Pois sabia que, quando levantasse a bandeira do pentecostalismo, as pessoas partiriam de falsos pressupostos, preconceitos e generalizações bem típicas da internet. Minha ideia sempre foi fazer com que gostassem da PictoBíblia pelo que eu entrego de valor e não por ser pertencente à igreja X, Y ou Z, embora esse pressuposto seja importante.

Agora, o problema desta decisão está na dificuldade de apontar para uma igreja, o que no meu ponto de vista, é o grande desafio do produtor de conteúdo teológico na internet. Já que ele corre o risco de se tornar como uma “igreja genérica” que tem por finalidade apenas estar nas redes sociais. Passando a falsa ideia para os seus seguidores de que, ao visitar um determinado perfil, consumir um conteúdo abençoador, dar like e comentar, o seguidor esteja emulando um culto em sua cabeça, tendo a falsa sensação de pertencimento a uma igreja de verdade.

O produtor de conteúdo deve se preocupar constantemente em não vender essa ideia para os seus seguidores, o fim último de um canal ou perfil não deve ser as redes sociais. Por melhor que seja uma página de teologia na internet, atendendo as necessidades de conhecimento dos seus seguidores que muitas vezes não tem o suporte necessário dentro da sua congregação, isso jamais chegará próximo da vivência em uma igreja. Afinal de contas onde está o Instagram, Youtube ou o Facebook senão em algum servidor do outro lado do mundo. Ninguém diz que congrega em um banco de dados.

Há um tempo fiz uma pesquisa na PictoBíblia. 3.044 pessoas disseram pertencer a uma congregação, o que é muito bom. Mas, outras 166 pessoas afirmaram não estar congregando, ou seja, 5% do público da PictoBíblia que respondeu a pergunta não pertencem a uma denominação cristã. Logo, eu pressuponho que ela não se submete a uma liderança, não se deixa ser cuidado pelos irmãos e não cuida das outras pessoas, e na pior das hipóteses, não devem sequer tomar a Santa Ceia.

Eu procuro sempre postar algo sobre eclesiologia, sempre enfatizar a necessidade de estar congregando e lidando com as nossas imperfeições e as imperfeições dos outros à nossa volta. Em todas as postagens da PictoBíblia adicionei as hashtags #congregue #procureumaigreja #façapartedocorpodecristo. Sei que elas não vão resolver o problema, mas preciso deixar marcado de alguma forma o quanto estar em comunhão em uma determinada congregação é importante para nossa vida espiritual.

Acredito que ninguém é tão bom que não possa fazer parte de uma igreja cheia de pecadores e ninguém é tão mau que não possa ser bem vindo em uma. Seria muito legal se todos os produtores de conteúdo teológico na internet começassem a enfatizar, minimamente, a importância de congregar, e assim pudéssemos ter um movimento contrário para estas pessoas.

Às vezes, chego a pensar se patrocínios, venda de produtos, cursos e livros têm feito com que nós, produtores de conteúdo, estamos sendo polidos e civilizados em nossa mensagem, com o objetivo de não perder seguidores e assim, (como disse no início) nutrindo uma fé apartada da congregação. Como disse Leonard Ravenhill: “A pior coisa que pode acontecer a um pregador é ele se tornar civilizado”, penso que essa máxima também serve para o produtor de conteúdo.

Hoje, nas redes sociais, encontramos muitas discussões acaloradas entre linhas teológicas divergentes, principalmente entre calvinistas e arminianos. Acredita que podemos comparar esta situação às divisões da Igreja de Corinto que Paulo condenou enfaticamente?

O assunto Calvinismo vs Arminianismo mexe com verdades basilares da nossa fé, afinal de contas a salvação é sinergista ou monergista? É um tipo de tema que dá para fazer boas provocações, e com a mesma facilidade, é possível descambar para brigas e debates infindáveis na internet. E sempre que o assunto é abordado a postagem tem uma “boa performance”, pois os algoritmos levam em consideração o engajamento muito mais do que o conteúdo.

Acredito sim que o mesmo sentimento de divisão que existia na igreja de Corinto possa florescer em nós diante deste tema, mas também penso que, com o passar dos anos, conforme amadurecemos em nossa fé, essas coisas ficam mais para os calvinistas na “fase da jaula” e novos estudantes de teologia.

Podemos perceber que alguns teólogos mais maduros não compram tanto essa briga, pois afinal de contas como disse J.L. Packer em seu livro “Evangelização e Soberania de Deus”, ao perguntar se oramos pela conversão dos outros, ele mesmo responde: “… não importa de que lado do debate você tenha se colocado no passado, o fato é que, em seu coração, você crê na soberania de Deus tão firmemente quanto qualquer outra pessoa. Enquanto estivermos sobre nossos próprios pés, podemos levantar vários argumentos em torno da questão, mas quando de joelhos, estamos todos de acordo. Tomo como ponto de partida esse ponto de comum acordo, do qual as nossas orações são prova”. Penso que temos um ponto convergente que nos dá paz e que devemos nos deter a ele.

Qual a importância da Escola Bíblica Dominical na vida do cristão? O que você acredita: a teologia de internet pode desmotivar ou motivar a frequência na EB?

Sou suspeito ao falar, sou aluno da EBD desde sempre e brinco que aceitei Jesus no culto, mas me converti na EBD (risos). As ferramentas de interação para o ensino na internet emulam o ambiente de sala de aula, seja no like ou nos comentários, mas não substitui.

 

Acredito que no ambiente de aula presencial você pode encorajar e estimular os alunos a participarem, os debates em sala de aula não são feitos com uma janela do navegador aberta no Google e ali estamos todos expostos diante da nossa falta de conhecimento mútuo e cumplicidade no aprendizado bíblico. O ensino sistemático das Escrituras ajuda na melhor compreensão dos temas que são discorridos em três meses de estudo, enquanto na internet tudo é muito efêmero e construído para ser consumido rapidamente.

Em 2020, o PictoBíblia disponibilizou gratuitamente o e-book “Natal em Versos” com uma chamada para contribuir com a Igreja Perseguida através do Portas Abertas. Como surgiu a ideia do projeto? 

Já há algum tempo eu contribuo com o Portas Abertas, eu acho o trabalho deles incrível e fundamental para nossa igreja nos dias de hoje, basicamente porque eles nos dão duas perspectivas interessantes sobre o cristianismo hoje, a primeira é: valorizar nossa liberdade de culto, coisa que não costumamos refletir, uma vez que em nosso país ir ao culto público é uma coisa bem comum. O segundo ponto é que nos dá uma ideia de universalidade do reino de Deus. Costumeiramente, pensamos em igreja de Jesus Cristo como a nossa congregação e aquelas igrejas irmãs que estão em nossa cidade. Mas, o Portas Abertas nos mostra como o evangelho é indomável e imparável; estando nos mais diversos lugares do mundo sendo levados por irmãos e irmãs que arriscam absolutamente tudo por amor a Cristo.

Quando meu amigo Neverson Santos me deu a ideia de fazer este e-book, pensamos em fazer algo gretuito para que todos pudessem ter acesso. Porém, queríamos poder abençoar alguma instituição e na hora sugeri o Portas Abertas, e ele topou sem hesitar. Entrei em contato com a instituição para saber como poderíamos ajudar e disponibilizamos o link para doação em nosso e-book. Este projeto nos deixou muito feliz, pois nosso Natal aqui no Brasil é um tanto diferente de muitos irmãos que sofrem perseguição.

Para você, é pecado fazer imagens de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, de acordo com o segundo mandamento?

Esta questão é bastante delicada. Pode não parecer, mas entendo as dificuldades que beiram este tema e que, como desenhista cristão, corro o risco de ofender a fé de muitos irmãos.

Existem reformados que, baseados na pergunta 109 da Confissão de Westminster, consideram desenhar Jesus ou qualquer das três pessoas da trindade é pecado. No entanto, para outros tantos irmãos que não confessam Westminster já não há o mesmo problema e o uso de imagens é até incentivado, tanto para adorno de seus templos como para representações gráficas.

Eu como pentecostal clássico faço a seguinte leitura: no passado falamos em santidade em um tom muito alto e no receio de cair no pecado de idolatria, perdemos uma oportunidade. Poderíamos ter adornado melhor nossos templos e culturalmente impactaríamos muito mais a cultura em nosso país, afinal de contas, quais das nossas igrejas estampam algum postal nacional?

Nas igrejas pentecostais é bem comum o desenho de uma pomba representando o Espírito Santo, mas ficamos com certo receio de representar Jesus Cristo. Por esse assunto ser muito sensível prefiro não desenhar Jesus tanto quanto eu gostaria de fazer. Como abordo inúmeros temas na PictoBíblia, nem sempre se faz necessário, e por vezes suprimo minha vontade para não causar estranheza para alguns irmãos que se desagradam da ideia de ver uma suposta figura de Jesus.

Claro, eu não subestimo a galera que segue a PictoBíblia e não acredito que ao verem um cartoon de Jesus (que já é uma representação de baixíssima fidelidade), eles venham a se prostrar. Ou até mesmo, que nas vezes que orarem com seus olhos fechados lembrem de algum desenho que eu tenha feito.

Como disse anteriormente, em um contexto em que a imagem é extremamente valorizada, acredito que devemos nos fazer valer das artes para pôr em pauta o Filho de Deus.

Estamos vivendo um “boom” de páginas de teologia e bible journaling, que disponibilizam seu conteúdo gratuitamente para o público. Alguns artistas sentem receio em tornar essas páginas também um empreendimento, por considerarem que prestam um serviço ao Reino. Como você enxerga esta questão?

Penso que tudo o que precisamos para nossa salvação é crer em Jesus e se em nossa busca diária quisermos edificação, temos isso em nossas igrejas via pregação do evangelho e em nossos devocionais diários e leitura da palavra. A igreja nunca precisou de nada disso, mas estamos na internet e na internet tem de tudo, logo, tem que ter conteúdo para nossa edificação também.

Penso que o público cristão é muito amplo! E o povo de Deus possui diversos dons e habilidades. Essa multiforme graça de Deus pode estar nas mais diversas ações que os filhos de Deus fazem, seja o advogado que faz bem o seu trabalho, o jornalista que busca sempre a verdade, o biólogo que estuda a criação de Deus entre tantos outros profissionais.

Não penso que o cristão tenha que fazer apenas coisas relacionadas à sua fé, Deus colocou-nos neste mundo e deu-nos um mandato cultural para dominarmos e fazermos cultura neste mundo caído. Entendendo desta forma, penso que devemos trabalhar sempre na direção da redenção desta criação caída, fazendo tudo para a glória de Deus.

Dito isso, cabe pontuar que para fazermos algo realmente bom e com qualidade demanda muito tempo e dedicação, e ninguém gosta de consumir ou seguir alguém que faça de forma relaxada o seu trabalho, seja ele qual for. Então, se Deus põe no coração de alguém o desejo de criar uma página ou site para contribuir no Reino de Deus, então que ele possa fazer isso com excelência e que possa também alcançar todos aqueles que não são necessariamente o seu público alvo.

Fazer com excelência demanda tempo e dedicação, penso ser justo alguém oferecer seu serviço para o Reino de Deus e se for o caso cobrar por ele, as pessoas devem julgar se o trabalho tem valor e assim desprender dinheiro para aquele determinado ministério.

Imagino que possam existir abusos e acúmulos de riqueza desnecessários, mas essas coisas também devem ser julgadas pelo povo de Deus. Se incentivássemos muitas iniciativas promissoras, quem sabe a cultura cristã confessional tivesse mais força em meio a uma sociedade secularizada.

Por vezes vemos menos problemas em pagar mensalmente a Netflix, que não possui nenhum compromisso com o Reino de Deus e torcemos o nariz quando vemos a possibilidade de comprar um curso ou ofertar para um produtor de conteúdo Cristão.

São milhões de pessoas na internet, sempre haverá público para todos e essa democratização é sempre bem-vinda, pois permite o mantimento de boas iniciativas. Portanto, não há problema algum em cobrar ou vender algo, como disse Lutero para aquele sapateiro convertido quando perguntado sobre o que poderia fazer para servir melhor a Deus e ser um cristão melhor, e ele disse: “faça um bom sapato e venda por um preço justo”.

Quais teólogos você admira e quais os ilustradores te inspiram?

Não quero parecer estar forçando a barra, mas os teólogos da minha congregação são os que mais admiro (risos). Meus pastores são homens dedicados no ensino e estudo das Escrituras e não estão nos holofote. Fico pensando, às vezes, por que eles não fazem um perfil ou canal para divulgar seus estudos, mas concluí que realmente cuidar das pessoas e da igreja parece dar muito trabalho.

Entretanto, existem outros mais conhecidos que admiro muito, como o falecido Pastor Antônio Gilberto, um grande teólogo, Ciro Sanches Zibordi e claro, Augustus Nicodemus, um dos meus favoritos. Gosto muito dos livros do Timothy Keller (minha meta é ter todos), Paul Washer e John Piper. Acredito que todos em algum momento foram de grande benção para mim por compartilharem seus materiais na internet ou em livros.

Os ilustradores que admiro são muitos, mas posso destacar aqui Gustav Doré, Sérgio Cariello (criador da Bíblia em Ação), e The Bilble Project, o qual sou absolutamente “fãnzaço”! Curto muito o trabalho deles, e ainda mais agora que finalmente temos os vídeos traduzidos para português, no início eles foram umas das minhas referências e inspiração para criar conteúdo na internet.

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